Ao
contrário de outros artesanatos têxteis, o bordado teve desde suas origens
uma função essencialmente estética e não utilitária, e por isso se tornou um
campo muito atraente para a arte popular.
Bordado é a arte de ornamentar os tecidos com fios diferentes, formando
desenhos. Esse trabalho executa-se à mão ou à máquina, com agulhas de várias
grossuras e feitios, inclusive as de gancho ou crochê. Os fios empregados
para bordar podem ser os mais variados: de algodão, seda, linho, ráfia, ouro
e prata, e ainda de fibra sintética, náilon, acrílico e celofane. O bordado,
além dos fios, complementa-se com outros elementos que vão de materiais
preciosos, como ouro, prata, pérolas, pedras preciosas, lantejoulas e
canutilhos, até os mais rústicos, como sementes, conchinhas, palha, contas
de vidro ou de madeira etc. O bordado pode ser plano ou em relevo, que por
vezes o torna semelhante a uma escultura.
Presume-se que o bordado seja uma das artes aplicadas mais antigas, que deve
ter surgido logo após a descoberta da agulha. Por serem executados em
material perecível, o tecido, os mais antigos bordados não se conservaram.
Para estudá-los é preciso recorrer à documentação fornecida por monumentos
antigos, em cujos baixos-relevos, esculturas, pinturas e gravuras são
representados.
Nas civilizações antigas que se desenvolveram nas margens do Eufrates, a
arte do bordado foi muito cultivada. Nos monumentos da Grécia antiga,
aparecem figuras com túnicas bordadas. Os hebreus também usavam bordados,
cuja invenção atribuíram a Noema. Em várias passagens da Bíblia há
referência à arte de bordar. Homero fala dos bordados de Helena e Andrômaca,
nos quais essas princesas documentaram episódios da guerra de Tróia. Os
romanos pouco utilizaram o bordado até a formação do império, mas, a partir
de então, essa arte generalizou-se.
Foi a partir do século VII, porém, que o interesse pelo bordado se tornou
sistemático no Ocidente. Nos séculos seguintes, sua prática intensificou-se,
a ponto de abadias e mosteiros se transformarem em verdadeiras oficinas de
artesanato. As rainhas e suas damas também se dedicavam ao bordado. Em breve
apareceram armas, brasões, escudos e pendões bordados a cores e em ouro e
prata. No século XVI, difundiu-se o costume de bordar cenas semelhantes a
pinturas, reproduzindo temas religiosos, históricos etc.